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MISTÉRIOS ACERCA DA FUNDAÇÃO DE PARATY

A data de fundação do município de Paraty ainda é encoberta por muito mistério. Alguns historiadores indicam o dia 31 de agosto de 1531, dia de São Roque, devido à construção de uma capela dedicada ao santo no Morro do Forte (antigo Morro da Vila Velha). Alguns anos antes, em 1526, desembarcavam no local, vindos da Ilha da Madeira, as primeiras mudas de cana crioula.
O município é conhecido como o berço da pinga no Brasil. O navegador francês Pyrard de Layal, em 1610, registra em seus escritos de bordo a produção, no Brasil, de um vinho feito com suco de cana que é comercializado bem barato e consumido por escravos e nativos da região. Por isso, é provável que a produção de pinga, em Paraty, tenha pelo menos 400 anos de história. Mas, de fato, o que diferencia a pinga de Paraty da cachaça tradicional? A cachaça é a aguardente destilada a partir da borra ou do melaço, isto é, das sobras da fabricação do açúcar. Já a pinga, por lei, é aquela fabricada a partir da garapa: caldo de cana fermentado e destilado depois da fervura e da evaporação que "pinga" na bica do alambique. Em Paraty, nunca se fabricou cachaça. O próprio nome "cachaça" se popularizou lá pelo final do século XVIII. A pinga só foi assim nomeada bem mais tarde, ao longo do século XIX. As pingas tradicionalmente recebiam o nome da vila onde eram produzidas, daí a sinonímia entre a aguardente e a cidade.

Com o passar dos anos, o nome de Paraty foi perdendo seu significado como sinonímia de aguardente. A cidade cresceu e passou a se notabilizar pelo clima ameno e pela dicotomia entre o mar e a montanha, tão apreciada por turistas do mundo inteiro. Porém, a cidade mantém a tradição de organizar, no terceiro fim de semana de agosto, o Festival da Pinga, criado pela Associação Comercial de Paraty, em 1983, com o objetivo de divulgar o produto paratiense fabricado até hoje de modo artesanal: dornas de carvalho, fogo à lenha e alambiques de cobre.
O município de Paraty é reconhecido internacionalmente pela beleza de seu casario o que torna a cidade um patrimônio histórico vivo, que reverbera cultura e beleza em cada esquina. Em 1945 o núcleo urbano de Paraty é decretado monumento histórico do Estado do Rio de Janeiro. Em 1958 acontece o tombamento do conjunto arquitetônico e paisagístico da cidade, feito pelo IPHAN. Em 1966, a cidade é elevada à categoria de Monumento Histórico Nacional e, em 1974, o Instituto do Tombamento reconhece a importância natural, cultural e histórica de Paraty. Hoje, a cidade busca um novo título: o de Patrimônio Mundial, concedido pela Unesco.

 
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