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ARARIBÓIA: O CACIQUE QUE COLONIZOU NITERÓI

Quais vínculos históricos podem existir entre os grandes mestres Michelangelo, Galileu e Shakespeare, o surgimento do império britânico e a cidade de Niterói, na região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro?
Nos primórdios da fundação niteroiense, entre os anos de 1564 e 1573, nasciam Galileu e Shakespeare. O grande mestre Michelangelo, depois de entregar a obra imortal O Moisés e concluir as pinturas da Capela Sistina, no Vaticano, “desaparecia do seio dos vivos”. Isabel I lançava as bases do império britânico. No Brasil, Mem de Sá, o terceiro Governador Geral, detinha-se na missão de expulsar os franceses do litoral do Rio de Janeiro. Liderados pelo almirante Vilegaignon, os franceses queriam criar uma colônia no Brasil e contavam com o apoio dos índios tamoios, que habitavam as terras ao leste da Baía de Guanabara.

Mas, os tamoios não eram os únicos habitantes indígenas do local. A tribo dos temiminós, aliada dos portugueses e liderada pelo cacique Maracajaguaçu, foi obrigada a se alojar em duas aldeias no Espírito Santo até que um levante contra os franceses fosse organizado.
Araribóia, filho do cacique temiminó, ao lado do governador Mem de Sá e de Estácio de Sá, liderou os guerreiros numa batalha que culminou com a expulsão dos franceses do litoral do Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1567. Reconquistada a região para a coroa portuguesa, Araribóia reivindicou aquelas terras para seu povo. O chefe índio tomou posse de sua sesmaria seis anos depois, em 22 de novembro de 1573. A aldeia instalou-se em torno do morro São Lourenço, onde se ergueram choupanas e uma capela (São Lourenço dos Índios).

Acometido pela peste bubônica, Araribóia e muitos outros integrantes de sua tribo morreram no ano de 1587. A aldeia decaiu e as terras foram divididas e doadas. A partir da segunda metade do século XVII surgiam engenhos de açúcar, fábricas de aguardente, olarias e um comércio bastante próspero. Em 1841 Niterói recebeu de D. Pedro II o título de “Imperial Cidade”.  Era o começo de vida de Niterói que, mais tarde, viria a ocupar o importante posto de capital do Estado do Rio de Janeiro, quando ainda existia a divisão entre o Rio e a Guanabara. Niterói era o centro político e financeiro do Estado e uma das mais importantes cidades do país.
Até hoje Niterói se destaca no cenário nacional pela beleza de suas praias, a riqueza de sua arquitetura, que transita entre o tradicionalismo das grandes fortalezas e a ousadia dos traços modernos de Oscar Niemeyer e, claro, pela alegria de viver de seu povo.

 
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