terça-feira, 12 de abril de 2016

PRODUTOS MAIS SAUDÁVEIS NA SUA MESA

(Foto: Andreia Constâncio)
Produzir alimentos mais saudáveis, preservando o meio ambiente e, ao mesmo tempo, promover a melhoria da qualidade de vida dos agricultores por meio da organização participativa. Essas ações, promovidas pelo Programa Rio Rural, vão ao encontro dos objetivos da Associação Agroecológica de Teresópolis (AAT), que há cerca de dez anos incentiva e promove a produção orgânica de alimentos na Serra fluminense. O trabalho da associação começou em 2005, quando um grupo de agricultores orgânicos e apicultores de Teresópolis se uniu para organizar uma feira agroecológica na cidade. A iniciativa ganhou força e, em 2007, foi fundada a Associação Agroecológica de Teresópolis, buscando fortalecer a agroecologia e a economia solidária.

A ATT conta com atualmente 60 associados. Cerca de 30 deles participam da já tradicional Feira Orgânica de Teresópolis. Todos são pequenos produtores rurais, majoritariamente agricultores familiares de Teresópolis, Guapimirim, Nova Friburgo, Sumidouro e Sapucaia, municípios da Região Serrana. A Feira de Orgânicos, que atrai centenas de consumidores interessados em ter uma alimentação mais saudável, é realizada às quartas-feiras e sábados, em um terreno da Rua Tenente Luiz Meirelles, ao lado da Rodoviária do centro de Teresópolis. No local, além de comercializar seus produtos, os associados participam de reuniões, mutirões e atividades culturais.

A qualidade dos orgânicos vendidos na feira, que vem atraindo cada vez mais consumidores, é elogiada pelos técnicos da Emater-Rio e pesquisadores da Pesagro-Rio. Muitos associados, inclusive, já entregam seus produtos em domicílio, não só em Teresópolis, mas também para clientes de Niterói e do Rio de Janeiro. Além disso, alguns deles também participam do Circuito Carioca de Feiras Orgânicas, da ABIO. Os principais produtos comercializados na feira pela associação são olerícolas – hortaliças de folhas e de frutos, raízes e tubérculos –, mas também são vendidos grãos e cereais, frutas tropicais e temperadas, ovos, mel, melado, palmitos, cogumelo shitake, plantas aromáticas, produtos processados como doces, geleias, pães, biscoitos, tortas, sucos; além de café e artesanato.

Dentro desse conceito de promover boas práticas e a convivência associativa, a AAT vem atuando junto aos técnicos da Emater-Rio, Pesagro-Rio e da Associação de Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro (Abio) para que os agricultores recebam incentivos para implementação de projetos do Rio Rural. Segundo Marcos André Dias Jogaib, responsável pelo núcleo de cadeias produtivas do programa, o Plano Associativo da ATT foi aprovado em 2014 e o Sebrae está auxiliando os produtores na elaboração dos PIDs (Planos Individuais de Desenvolvimento). “Já foram feitas várias reuniões sobre as necessidades individuais e coletivas do grupo. Algumas propostas foram modificadas por eles e, agora, aguardamos a finalização dos PIDs para a liberação dos subprojetos do Rio Rural via cadeia produtiva”, explicou.

Certificação garante qualidade dos produtos


A qualidade dos produtos comercializados pelos associados da AAT é garantida pela certificação dos agricultores por meio do Sistema Participativo de Garantia da Conformidade Orgânica  (SPG), que é coordenado pela Abio do Rio de Janeiro. “Nós criamos na AAT comissões de avaliação com a participação de técnicos da Pesagro, da Abio, além de agricultores e consumidores associados que queiram participar. Eles visitam e examinam cada propriedade, pelo menos uma vez por ano, para conceder ou renovar o selo de orgânico”, explicou o produtor e coordenador de administração e finanças da associação, Jorge Studer.

Toda a produção vegetal, animal e de processados, como pães, farinhas, compotas e geleias dos integrantes da AAT precisa ser certificada por meio do SPG. Segundo Jorge Studer, quando os técnicos encontram problemas nas propriedades em relação à forma de plantio, uso de sementes, adubação ou até mesmo qualidade da água, essa comissão conversa com os produtores e busca soluções para a correção dos problemas. “Se não resolver os problemas detectados pela comissão de fiscalização e avaliação, o produtor fica sem a certificação, fora da associação e também das feiras”, ressalta. Toda essa organização e metodologia de trabalho é discutida em reuniões bimensais da Associação. As reuniões sobre SPG também acontecem com essa frequência e todas as questões de trabalho do grupo são debatidas democraticamente com a participação, em média, de 40 produtores associados.

“Não há dúvida entre os integrantes do grupo de que a certificação pelo SPG garantiu mais tranquilidade e transparência. Além disso, fortaleceu nossa organização e nos possibilitou um conhecimento maior sobre produção orgânica”, declarou a associada Ana Litardo, de 72 anos, que participa da feira desde o início. A produtora Clemilda Fagundes Resende e a filha Isabele são integrantes da AAT há cinco anos. A família tem um sítio na localidade de Santa Rita, em Teresópolis e, segundo elas, a associação e a feira possibilitaram maior conhecimento sobre o cultivo de orgânicos. “Antes, a gente só produzia orgânicos para o consumo da família mesmo. Com a nossa entrada na associação e o início dos trabalhos na feira, conseguimos aprender mais, recebemos orientação da Abio e garantimos a certificação. Hoje estamos até produzindo doces em potes e pão, com o selo ‘Sitio 21’. Temos clientes certos e, em alguns casos, eles nem vêm mais aqui. Fazem as encomendas por telefone e entregamos em domicílio”, contou Isabele Resende.

Associação criou banco de sementes


A Associação Agroecológica de Teresópolis também vem trabalhando para diversificar a genética nas lavouras, resgatando cultivos pouco comuns e introduzindo outros que não faziam parte da agricultura convencional. Com apoio financeiro de uma instituição privada, foi criado, em 2012, um banco de sementes orgânicas, sob responsabilidade do produtor e engenheiro agrônomo Roberto Selig. As primeiras sementes vieram da Embrapa Agrobiologia, da Pesagro-Rio e de sítios da região. A partir de então, a AAT passou a dedicar todo segundo sábado do mês à troca de sementes e materiais propagativos na própria Feira Orgânica. As sementes são armazenadas em recipientes bem fechados (latas, garrafas plásticas ou de vidro), para que não absorvam umidade. “Essa troca de sementes é importante e fundamental para a garantia da qualidade dos orgânicos e também para a diversificação de culturas nos sítios. Temos certeza de que com a chegada dos projetos do Rio Rural, poderemos ampliar nossa produção e dar mais qualidade de vida no campo para os produtores”, finalizou o coordenador da AAT, Jorge Studer.


(Fonte: Arquivos da Gazeta)

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